revistalusofia@gmail.com / ENS en Lenguas Vivas "Sofía Spangenberg" / 011 4807-2966 / Juncal 3251- Buenos Aires, Argentina

  • Sitio Spangenberg
  • Facebook del Profesorado
  • Canal de YouTube LuSofia
  • Instagram del Profesorado
  • Facebook de LuSofia
  • Twitter de LuSofia

Maior tecnologia, menor capacidade?

1/6
Please reload

Leituras que criam sentido

21/09/2019

Sofia Lebron, estudante do curso de formação de professores de português da ENS Lenguas Vivas "Sofía Spangenberg" e responsável do projeto "La biblioteca de Sofia en Portugués", reflete neste artigo sobre a contribuição da literatura no ensino de português em relação à disponibilidade de títulos nas prateleiras.

Leituras que criam sentido

 

Por Sofia Lebron

 

Na Argentina há políticas educativas que propõem um diálogo intercultural entre a cultura própria e a que se estuda, neste caso a brasileira.

 

Outro dia eu estava na sala de aulas com a minha professora de Análise e redação de textos e com a minha colega Paula. Começamos a falar sobre a importância de conhecer a cultura da língua que se estuda e a conclusão foi, palavras da minha professora: "Quando se começa estudar outra cultura, começa-se a analisar a própria e descobre-se que não só se é da própria cultura, mas também se é da outra, a que se está estudando".

 

O ensino pragmático ativa um componente cognitivo: o afetivo, relacionado com o interesse, a empatia. Possibilita ao estudante ter uma interpretação a partir do ponto de vista cultural, o que lhe ajuda a se colocar no lugar do outro, ou seja adquirir a perspetiva do nativo da língua estrangeira.É por isso que eu me preocupei, quando vi que nas prateleiras das livrarias só havia livros gramaticais.

 

A abordagem na sala de aulas continua sendo estruturalista, sem ter opções de combiná-las com leituras que façam interagir a cultura própria, com a que se ensina, o que não permite dissipar estereótipos ou maus entendidos. A abordagem vira uma coisa estática com uma leitura estruturalista, a leitura é tratada como uma coisa estável, não havendo lugar para o leitor/produtor, formando leitores incapazes de participar na construção dos sentidos no discurso.

 

É certo que os professores na Argentina tentam incorporar leituras significativas, com estratégias pessoais: ficam horas, e horas procurando na internet. Criando uma sequência didática que leve aos alunos a desenvolver um estilo cognitivo que os liberte quebrando os estereótipos, mas fica só na vontade e no tempo que o professor tem para investir, porque não há -bom, não havia- oferta na Argentina no que a leitura se refere. Dependia da imaginação do professor para ativar a heurística do aluno. Só a vontade do professor podia maximizar as oportunidades de aprendizagem.

 

Eu procurei trazer para Argentina livros de literatura que criassem no leitor um sentido, o sentido que ele encontre, livre. O livro passa a ser uma unidade de significado. Dá espaço a interpretação a partir das referências do autor. Às vezes, o leitor descobre coisas, as ressignifica, já que a maneira de interpretação está associada à experiência e contexto pessoal de cada um, acrescentando assim um novo significado do que está lendo.

 

Os primeiros títulos que escolhi para disponibilizar na Argentina, são principalmente um convite ao diálogo com a cultura brasileira, sua origem, seus interesses. São portadores da tradição brasileira onde o aluno descobre o além das palavras isoladas, da gramática. Por exemplo o livro “Folclorices de brincar”, trabalhando a poesia, os alunos leem sobre brincadeiras tradicionais no Brasil. Uma delas, a pipa. A partir da pipa a criança começa a pensar como é a vida do menino que brinca de pipa na rua, e pode comparar com a própria. O leva a criar hipóteses, começa o inter diálogo entre sua cultura, seu contexto e a do menino que brinca de pipa.

 

Claro que há um acompanhamento de atividades que abrangem a parte gramatical e linguística, mas desde outro lugar onde o aluno se torna criador. Por exemplo, continuando com o livro FOLCLORICES DE BRINCAR, o aluno pode criar rimas com as brincadeiras que descobriram no livro e misturá-las com as próprias.

 

A partir daí o aluno cria um discurso, se ampliam as discussões na sala de aula, o que torna tudo mais rico na troca de ideias, sendo o ensino menos direcionado permitindo as colocações dos alunos criando um sentido no discurso.Um texto, além do jogo linguístico, deve envolver as regras históricas sociais e linguísticas. O leitor começa construir um sentido já que a leitura será um processo de produção de sentidos, criará hipóteses confrontando a própria cultura com a LE encontrando uma ressignificação não literal.

 

São apenas ideias para mostrar como muda o paradigma quando se tem material disponível nas prateleiras para trabalhar na sala de aula. diferentes!

Please reload

This site was designed with the
.com
website builder. Create your website today.
Start Now